De Mariana para Mariana

Foto de perfil de Mariana(Por Mariana Reis)

Algumas das lembranças mais gostosas que eu tenho da infância são as viagens de carro com a minha família. A cada feriado, ou mesmo final-de-semana, era para lá que íamos: Mariana. A cidade do meu pai, um pouco da minha mãe, dos meus tios, primos, avós e de tanta gente boa, simples e acolhedora.

Acreditem! Três dias por lá e algumas visitas a parentes e amigos eram o suficiente para uma overdose de cafezinho, bolo e queijo. Afinal, é quase uma afronta chegar à casa de um mineiro e recusar esse ato tão acolhedor.

Mas, voltando à minha infância, lembro que o percurso entre Belo Horizonte, a capital do Estado de Minas Gerais, e Mariana era coberto em pouco mais de duas horas, de carro. Porém, para uma criança, o que são DUAS horas dentro de um carro sem poder correr, pular, brincar ou gritar?

Pois é! Seriam duas horas torturantes se não fosse meu pai. Por mais que eles, os meus pais, jurem não ter sido proposital, é uma coincidência muito grande eu me chamar justo Mariana. Ok! Tudo bem que minha irmã mais velha seja Marina.

Talvez, como se fazia antigamente, eu me chame Mariana para combinar os nomes. (Sim, isso daria outro texto só para contar como minha família conseguiu ser criativa nessa parte.) O fato é que, proposital ou não, meu pai me fazia acreditar que estávamos viajando para dentro de mim.

Sim! Para Mariana. Eu mesma. Muito prazer.

— Pai, já tá chegando?

— Ainda não! Tá vendo essa curva? Estamos contornando o seu joelho agora!

Assim era durante todo o caminho: o contorno do joelho, a reta da coxa, a curva da barriga, até, finalmente chegarmos. Como eram felizes aqueles dias. Como ainda são felizes os dias em que entramos no carro — agora em uma estrada mais longa — e passamos alguns dias por lá.

Não! Essa cidade, a minha cidade, não merece estar passando por essa tragédia. E, por mais que a parte afetada possa ser como só uma de minhas pernas, ou até mesmo um pé, dói. Não se fica em pé sem uma perna. Não se fica feliz sem uma parte de você, sem uma parte da cidade.

Força, minha xará! ‪#‎ForçaMariana.

Novembro de 2015.

Foto da autora: centro de Mariana visto da varanda da casa de uma tia.

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