Overdose de sono

Dia desses, comecei a estudar crônica. E, para entender melhor, fui buscar inspiração nos textos do José Marques de Melo. Passei uma vassoura em alguns registros já publicados. Confesso que o Arnaldo Jabor foi quem mais me chamou atenção, pela ironia e perspicácia em descrever fatos e deixar o leitor contagiado pela leitura do início ao fim. Mas isso eu conto outro dia.

Contudo, compreendi que a crônica é um momento de reflexão, uma espécie de respiro para quem escreve. Não me lembro de ter escrito alguma. Sempre gostei de escrever, mas não sabia identificar o que estava escrevendo.

Ah! Eu soube, também, que a crônica é um texto híbrido e não existe uma preocupação em relatar a realidade. Ih! Realidade é um assunto complexo. Outro dia a gente discute isso, porque vou precisar voltar às minhas aulas com o professor Cláudio Rabelo para relembrar e explicar melhor o assunto. Hoje, não! É a minha primeira vez. Preciso ter muito cuidado.

O Caê Guimarães nos disse: importa é que as pessoas reflitam sobre alguma coisa grafada no papel. Agora, se você vai refletir sobre isso ou não, já é outra história.

Então, eu estava aqui matutando e ouvindo umas canções que remetem a uma overdose letárgica — quer dizer: estou caindo de sono —, depois de um dia inteiro de obrigações acadêmicas, profissionais e domésticas… Sobre o que vou escrever? Aí, ele me veio na memória.

Pensei: seria legal compartilhar com você o meu desejo intenso por quem todas as noites me tem em seus braços. Você deve estar pensando: “Nossa, que coisa mais caliente!” Nada disso. Ele é meu companheiro há um bom tempo. Sempre fiel, já rodou comigo por vários lugares onde morei e sempre está comigo na alegria e na tristeza. É uma gracinha! Muito fofo!

Quando estou com algum problema, é com ele que eu desabafo. Ele sabe ouvir e seca todas as minhas lágrimas. Ele é tão bom. E gostoso também, tá! Não precisa ficar com inveja, você também deve ter um. Talvez ainda não tenha se dado conta dele. Entretanto, já aviso que não divido o meu com ninguém. Essa conquista demorou um tempo para ser concretizada. Não sei quantas estações vai durar, mas, enquanto existir, quero descansar em seus braços como se fosse uma princesa.

Como em toda relação, existe algo que pode atrapalhar ou que pode proporcionar conforto e segurança. Eu não tenho nada a reclamar dela. Pelo contrário! Tenho é de agradecer por nos deixar em paz. Nem sei se ela sente ciúme. Também não me interessa saber. Não faço questão. Até porque, eu só posso contar com ela em um único lugar.

Agora, ele não, para onde eu vou ele pode ir comigo. O toque suave e a leveza com que ele alisa o meu rosto me encantam. Sua atenção traz harmonia. E, quando estou com ele, a minha recompensa é o meu precioso descanso.

Imagine você, o que seria de mim sem ele? O meu travesseiro. E o que seria de nós dois, se não fosse a minha cama?

Maio de 2008

Foto: Google Imagens

Edsandra Carneiro escreve, quinzenalmente, às quartas-feiras

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *